que me engana assim
que dou a minha confiança
e me engana assim
que dou minha mão e até meu corpo as vezes
o inferno é o outro que me atiça o fogo
o demônio que me assopra a nuca, que me eriça os pelos do corpo
e me engana assim
o inferno é o outro que me morde os lábios e o seio
que me prende entre as pernas e me oprime, que me faz homem
que me faz fêmea
o inferno é o outro que me deixo enganar
que me deixo ser tocado, que me deixa tocar
o inferno é quando eles se vão me deixando tão só ,
naquele estado petrificado de paraíso
o inferno não é quando eles voltam, mas quando eles vão
e eu fico!
O inferno é o outro sem mim.
Para minha querida Lua

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